Segurança

Semáforos e vias públicas: Perigos iminentes aos idosos

A expectativa de vida no Brasil vem aumentando todo ano, isso é fato, consequentemente os problemas típicos da terceira idade ficam cada vez mais visíveis para todos, especialmente para pesquisadores da área da saúde.
Nesta fase da vida, é natural que a força e o equilíbrio estejam enfraquecidos, além de afetar a audição e a atenção. Devido á isso, especialistas afirmam que os idosos são os mais suscetíveis à quedas e atropelamentos ao saírem nas ruas.

Vias Públicas

Vulnerabilidade no trânsito 
De acordo com os dados mais recentes do Relatório Anual de Acidentes de Trânsito (2015), os atropelamentos são o tipo mais comum de acidentes fatais na cidade de São Paulo, sendo que os idosos são as principais vítimas dessas fatalidades. Alguns problemas que eles enfrentam em seu cotidiano são:

. Distinguir a cor das luzes dos semáforos;
. Perceber a velocidade efetiva dos veículos na via;
. Condução imprudente de motoristas;
. O curto espaço de tempo do semáforo para atravessar a rua.

Infelizmente, nessa parcela da população as sequelas deixadas por esse tipo de acidente acabam sendo mais graves, pois tendem a agravar complicações de saúde maiores devido às suas fragilidades. Apesar disso, com alguns cuidados, é possível prevenir e amenizar situações como essas. Você pode seguir algumas dicas para evitar incidentes:

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Evite que a pessoa idosa saia sozinha na rua. Se possível, faça com que ela sempre esteja acompanhada de alguém que possa auxiliá-la;
Converse com ela sobre sempre atravessar a rua na faixa de pedestres, no sinal correto e usar a passarela para cruzar vias que não possuem a faixa de pedestre;
Quando estiver andando na calçada, o idoso não deve ficar muito próximo da via. É aconselhável andar mais perto das casas;
Se necessário, disponibilize uma bengala ou um andador para um equilíbrio maior.

Semáforos

Poucos metros separam uma calçada da outra. Mas, quando o sinal verde autoriza a travessia de pedestres, cruzar a rua pode se tornar uma façanha, principalmente para as pessoas com mais de 60 anos: o luminoso com o bonequinho vermelho começa a piscar antes que eles cheguem com segurança ao outro lado da calçada.

Um estudo feito na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP constatou que 97,8% dos idosos da cidade de São Paulo não conseguem caminhar a 4,3 km/h, velocidade exigida pelo padrão apresentado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-SP) para os semáforos da cidade. Na média, a velocidade alcançada pelos voluntários com mais de 60 anos que participaram do estudo foi bem menor que o exigido: apenas 2,7 km/h.

Para medir a velocidade da marcha dos 1.191 idosos que participaram do estudo foi necessária a infraestrutura do Estudo SABE – Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento, pesquisa longitudinal de múltiplas coortes sobre as condições de vida e saúde dos idosos do município de São Paulo.

Esse estudo multicêntrico teve início em 2000, quando, por iniciativa da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), foram pesquisadas pessoas de 60 anos ou mais de sete grandes cidades da América Latina e do Caribe, entre elas São Paulo. Com apoio da Fapesp, o estudo foi reeditado em São Paulo em 2006 e 2010 e em 2016 teve sua quarta edição.

“A velocidade de marcha exigida para atravessar as ruas da cidade não condiz com a população idosa e não podemos desconsiderar o aumento da população idosa no município de São Paulo e no Brasil inteiro”, disse Etienne Duim, autora de artigo com resultados do estudo publicado no Journal of Transport & Health – os outros autores são José Leopoldo Ferreira Antunes e Maria Lucia Lebrão.
De acordo com dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), em 2016, o porcentual de idosos na cidade de São Paulo era de 12,74%.

“O que constatamos com o estudo é que a cidade não é regulada para o idoso, mas para um indivíduo adulto que, na maioria dos casos, anda entre 4 e 6 km/h sem maiores problemas. Isso tem o efeito de fazer com que o idoso fique cada vez mais confinado em casa”, disse Antunes, professor titular da FSP e orientador do estudo.

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A pesquisa tomou como base dados da CET-SP (de agosto de 2016) que regula o tempo dos semáforos a partir de um cálculo que considera a velocidade média para o pedestre como 4,3 km/h. O cálculo é feito para a travessia enquanto o sinal de pedestre está verde. O estudo não considerou o tempo do sinal vermelho piscante. Segundo a CET, não houve alteração no tempo dos semáforos após o período de realização da pesquisa. A análise bibliográfica sobre o tema, feita pelos pesquisadores, apontou que cidades têm reduzido a velocidade média de percurso para pedestres, como Valência e Barcelona, na Espanha, com os seus atuais 3,2 km/h.

Segundo Duim, um estudo realizado na Inglaterra teve resultados muito parecidos com os de São Paulo. “O estudo inglês inclusive teve peso na regulamentação do país, que aumentou o tempo dos semáforos”, disse.

Os dois estudos concluem que, para a população idosa, a caminhada tem importante relação com a saúde e com a interação social e que fatores que atrapalhem a movimentação desse público – como a dificuldade de atravessar ruas – podem indicar perda de autonomia e até mesmo de qualidade de vida do idoso.

 Sem pressa

Mudanças simples garantiriam mobilidade e maior autonomia para a crescente população de idosos da capital paulista – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Duim sugere para a capital paulista mudanças parecidas com as adotadas na Inglaterra e na Espanha. Isso garantiria a autonomia e mobilidade da população idosa e, principalmente, a redução de riscos de atropelamentos.

“Aumentar 5 segundos o tempo para cada semáforo pode trazer um impacto no trânsito? Pode. Mas, pelo que vimos nos estudos realizados em outros países, essa mudança é diluída também com a adoção de outras medidas, como alteração de velocidade do trânsito e incentivo ao uso de transporte público, por exemplo”, disse.

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Duim indica como alternativa interessante para São Paulo a proposta adotada em Curitiba, onde foram implantados alguns semáforos inteligentes: o idoso insere um cartão num dispositivo eletrônico para determinar que precisará de mais tempo para atravessar a rua.

“O mesmo também vale para outras pessoas com dificuldade de locomoção, como cadeirantes, grávidas e pessoas com crianças pequenas, por exemplo. É uma solução que não impacta tanto o trânsito e cria um processo interessante de inclusão social”, disse.

fontes: jornal da USP e quem cuida

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