Comportamental

Por que é tão difícil perdoar?

perdão

Pessoas têm dificuldade em admitir que a outra agiu diferente e a partir daí, perdoar.

Tanto o ato de perdoar quanto o de pedir perdão são verdadeiros tabus nas relações humanas. Aceitar o jeito do outro e desculpá-lo por algum equívoco e, por outro lado, saber admitir o erro, são dois problemas que põem em risco os relacionamentos.

E para tratar disto conversamos por email com a psicóloga Olga Tessari. Ela vai abordar estes dois pontos centrais na questão do perdão, bem como apontar caminhos no meio deste dilema que elevem a situações benéficas de parte a parte.

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Por que é tão difícil perdoar?

Para perdoar é preciso aceitar o fato de que, se a pessoa errou. Ela não tinha a intenção consciente de fazer o que fez, de que errar é humano. Que se ela feriu ou magoou, não o fez propositalmente. Perdoar é também aceitar o fato de que somos seres humanos e que faz parte da nossa natureza errar.

Embora o erro não seja a nossa intenção, todos queremos acertar sempre. No consultório é comum ouvir estas frases: “não admito que ele tenha feito isso comigo”, “não entendo porque ela fez isso”, “jamais imaginei que ela pudesse fazer isso”, “eu não esperava isso da parte dele”.

Essas frases mostram a dificuldade das pessoas em admitirem que a outra pessoa não agiu de acordo com suas expectativas.

É essa dificuldade que impede as pessoas de perdoarem. Justamente porque elas não aceitam que a outra pessoa tenha agido de forma diferente daquela esperada.

Quem ama perdoa?

Nem sempre. Tudo vai depender do quanto a atitude errada do outro a feriu, da intensidade da dor que ela sente, dos seus próprios valores e de seu orgulho, entre outros fatores. Há pessoas que, mesmo amando muito, tem uma dificuldade enorme de perdoar por não admitirem que tenham sido machucadas.

Uma frase que caracteriza bem a dificuldade do perdão: “Ele(a) não podia ter feito uma coisa dessas comigo, eu não mereço!”. Por outro lado, há pessoas, que por amar muito e por quererem manter seu relacionamento (seja de amizade, familiar, de trabalho ou amoroso) perdoam após o período desta dor.

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A confiança segue a mesma após um ato de traição?

É claro que a confiança fica abalada num primeiro momento, pois a fidelidade faz parte do acordo implícito de um relacionamento amoroso. Todos esperam que a fidelidade seja mantida, portanto, confiam que o parceiro não vai quebrar este acordo.

Então, quando este acordo é quebrado, é claro que as pessoas deixam de confiar cegamente. Passam por um período de desconfiança muito grande, mas, aos poucos, sua confiança pode ser resgatada em função de como serão as “novas” atitudes da pessoa que traiu, se ela agir no sentido de reconquistar a confiança perdida.

Há casos de pessoas que perdem a confiança totalmente e que, mesmo com o passar do tempo, por mais que as atitudes da outra pessoa indiquem que se pode voltar a confiar nela, não conseguem restabelecer a confiança perdida.

Nestes casos, ou o relacionamento acaba ou então a pessoa deve buscar a ajuda profissional de um psicólogo para entender o que a leva a não perdoar, mesmo querendo manter seu relacionamento.

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Uma pessoa que sofre muito por algum ato de traição sofrido, se perdoar ela consegue se livrar dessa angústia?

Sim, o perdão traz consigo o alívio porque a pessoa deixa de sofrer. Seria o momento em que a confiança é resgatada, onde a angústia da desconfiança se encerra e a mágoa por ter sido ferida se desfaz.

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Pedir perdão pode ser uma forma de reconhecer o erro. Mesmo assim, muitas pessoas teimam em não fazê-lo. Por quê?

Aqui reside a dificuldade que o ser humano, em geral, tem de admitir seus próprios erros. Por outro lado, tudo vai depender do ponto de vista que se vê o problema. Pode ser que eu veja uma atitude do outro como errada, mas pode ser que o outro não a considere um erro.

E é aí que, muitas vezes as pessoas podem ter dificuldade em reconhecer seu erro, justamente porque é a outra pessoa quem está vendo o erro e não elas mesmas.

O orgulho também impede a pessoa de admitir publicamente que errou, mesmo reconhecendo-o para si mesma.

fonte: Rodrigo Herrero

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