Dicas de Alimentação, Nutrição

Perder peso com dieta sem glúten, resolve?

dieta sem glúten

Eliminar todos os alimentos com glúten do cardápio pode render alguns quilos a mais e até causar distúrbios alimentares

Tem gente que não pode comer glúten de jeito nenhum: as pessoas que sofrem com doença celíaca.

Para elas, o simples fato de ingerir esse tipo de alimento desencadeia uma reação agressiva do organismo, com fortes dores abdominais e diarreias.

Mas também tem muita gente querendo tirar essa proteína da dieta apenas para emagrecer.

Para quem não é celíaco, essa é uma decisão controversa, pois pode ter justamente o efeito contrário, apontam nutricionistas.

Confira, abaixo, por que é um erro retirar o glúten da alimentação sem orientação médica.

É uma dieta com efeito de curto prazo.

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O problema é que dietas que eliminam grupos alimentares inteiros – como carboidratos ou gorduras – não costumam dar certo por muito tempo.

A abundância de notícias sobre celebridades que perderam peso ao tirar o glúten da dieta tem inspirado muita gente a fazer o mesmo sem buscar orientação profissional.

Em curto prazo, há quem realmente emagreça, mas isso não acontece porque essas pessoas não estão mais ingerindo essa proteína, e sim porque cortam o excesso de carboidratos,
especialmente os refinados.

O problema é que dietas que eliminam grupos alimentares inteiros – como carboidratos ou gorduras – não costumam dar certo por muito tempo.

“Transformar o glúten em vilão é um método radical para emagrecer.

Só que 95% das pessoas que fazem uma dieta restritiva voltam a ganhar peso em até dois anos.

Pior: esse tipo de dieta aumenta o apetite por até um ano depois de ter sido abandonada”, explica a nutricionista Sophie Deram, doutora em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e autora de “O Peso das Dietas”.

“Fica muito difícil manter a disciplina de recusar convites para jantar e nunca mais comer o que nos dá prazer.

Recebo muitos pacientes que engordaram depois de banir o glúten”, diz.

Fica muito difícil manter a disciplina de recusar convites para jantar e nunca mais comer o que nos dá prazer.

fonte: Sophie Deram
Doutora em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP

Opções sem glúten podem engordar

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Não adianta só contar calorias.

Quem não quer engordar tem de prestar atenção a um dado muito importante: o índice glicêmico dos alimentos, ou seja, sua capacidade de aumentar o nível de glicose no sangue (veja a lista abaixo).

Quando essa elevação acontece, produzimos mais insulina para metabolizar esse açúcar e armazená-lo no organismo, o que favorece o acúmulo de gordura corporal.

“Eliminar o glúten leva ao consumo de alimentos de alto índice glicêmico, e isso não causa redução, e sim ganho de peso, porque altera a produção de insulina”, afirma a nutricionista Vanderli Marchiori, vice-presidente da APFIT (Associação Paulista de Fitoterapia).

Os cereais integrais têm baixo índice glicêmico, mas os alimentos sem glúten mais populares (como o arroz e a tapioca), não.

Uma fatia de pão com grãos integrais, por exemplo, tem índice glicêmico (51) bem inferior ao da tapioca (115) e do biscoito de arroz (82) geralmente adotados em dietas sem glúten.

“Quem opta por alimentos sem glúten acaba consumido muitos produtos com alto índice glicêmico.

Quer saber o que é índice glicêmico? Clique aqui.

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A farinha de arroz e a goma da mandioca, entre outros carboidratos usados no preparo de pães, bolos e tortas sem glúten, geram o descontrole da insulina e, ainda por cima, têm baixa quantidade de fibras, que dão saciedade”, completa Vanderli.

Uma fatia de pão com grãos integrais, por exemplo, tem índice glicêmico (51) bem inferior ao da tapioca (115) e do biscoito de arroz (82), geralmente adotados em dietas sem glúten.

Quem opta por alimentos sem glúten acaba consumindo muitos produtos com alto índice glicêmico.

Vanderli Marchiori

Nutricionista e Vice-presidente da APFIT

Índice glicêmico

Quanto menor o número, menos o alimento eleva o nível de açúcar no sangue.

Aumenta o risco de distúrbios alimentares

O transtorno mais comum, nesses casos, é a compulsão, o hábito de comer em um espaço curto de tempo uma quantidade maior de alimentos e sem ter controle sobre o volume ingerido.

Parar de comer um determinado alimento por vontade própria, e não por causa de um problema de saúde acompanhado por um médico, pode ter consequências sérias para nossa relação com a comida.

Um estudo aponta que dietas restritivas aumentam em 18 vezes o risco de adolescentes desenvolverem distúrbios alimentares.

 “Para quem tem uma predisposição genética, esse tipo de dieta vira um gatilho para desenvolver desde a perda de controle ao comer até bulimia e anorexia”, afirma Sophie Deram.

Ela explica que o transtorno mais comum, nesses casos, é a compulsão, o hábito de comer em um espaço curto de tempo (inferior a duas horas) uma quantidade maior de alimento e sem ter controle sobre o volume ingerido.

“O cérebro fica em alerta quando deixamos de comer determinado alimento porque estamos fazendo dieta.

Com isso, o apetite aumenta e a pessoa pode ficar obcecada em comer o que quer eliminar da alimentação”, completa.

fonte: associação paulista de fitoterapia

Veja também no Portal AVôvó:

Lista de alimentos que contem Glúten… e que não contem

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