Finanças

O sistema de saúde pensa no idoso?

O SUS pensa no idoso?

A realidade de um sistema de saúde que está sofrendo um verdadeiro desmonte e ninguém sugere mudanças estruturais. Entenda o drama de ser idoso no Brasil, contando com um governo ineficaz e um serviço privado incoerente.

A população idosa está crescendo e os desafios de atender as necessidades dessa parcela da população ainda mais. A última projeção indica que o país terá mais idosos que crianças, pela primeira vez na história, em 2030. Serão 41,5 milhões de brasileiros com mais de 60 anos, quase 3 milhões superior ao número de jovens –  cerca de 29,4. O Avôvó vai ressaltar os pormenores dessa discussão para explicar com exatidão o tamanho da responsabilidade social que nos aguarda.

O grande exemplo que podemos tomar para basear o planejamento é a Europa. O velho continente está em patamares bem mais avançados que os nossos, mas, vale lembrar, eles passaram por essa transição em um intervalo de 180 anos, enquanto a nossa deve ocorrer na metade desse tempo. E agora? Vamos pontuar as principais áreas que devem sofrer alterações radicais, gerando mais assistência e vitalidade: políticas públicas de saúde, assistência social e previdência.

o SUS pensa no idoso?

A idade média de uma nação reflete diretamente na demanda por gastos em saúde, pois, como todos sabem, há mais incidência de doenças crônicas, como diabetes e problemas cardiovasculares. No Brasil, atualmente o Sistema básico de saúde, o SUS, recebe algo em torno de 45 bilhões de reais por ano. Não cabe avaliar o serviço e muito menos classificar a qualidade da aplicação desse dinheiro, mas as projeções – devemos vê-las como aliadas para o planejamento futuro – dizem que esse número vai triplicar até o começo da terceira década do século. O que os idosos têm com isso? Absolutamente tudo. Atualmente, meados de 2018, 70% da terceira idade depende apenas do serviço público para realizar consultas e qualquer procedimento médico.

Ao mesmo tempo, o Brasil vive momentos difíceis e a realidade não demonstra nada além de cortes, reduções e diminuições. Cortar custos, reduzir funcionários e diminuir o orçamento. Os especialistas nessa área já alertam para o risco de enfraquecer a saúde familiar e apresentar ameaças à assistência dos idosos. A constituição brasileira é extremamente paternalista – concede benefícios à todos -, mas será que o Estado tem condição de administrar serviços tão complexos?

o SUS pensa no idoso?

O Brasil está vivendo um verdadeiro desmonte do SUS e da aplicação das políticas de bem-estar. Apontar a falta de dinheiro como problema central é muita ingenuidade. Não podemos nem afirmar que falta dinheiro para a saúde, mas esclarecer que, no caso dos idosos, o tratamento é ineficaz. Faltam: profissionais capacitados, analise concreta antes de mandar encaminhamentos, medicamentos em excesso e pedidos desnecessário de exames. Por exemplo, a falta de memória na terceira idade é naturalmente comum, quando gradativa, mas muitos classificam logo de cara como disfunção demencial.

Os desdobramentos do problema podem ser evitados por atitudes simples na atenção básica, mas por falta de treinamento dos médicos há encaminhamentos desnecessários. O problema pode estar surgindo nas universidades de medicina, faltando uma atualização da grade dos cursos da área de saúde. Os estudantes saem da faculdade sem adquirir conhecimento sobre como cuidar do idoso, paciente cada vez mais frequente nas clínicas e hospitais.

O instituto de Saúde Suplementar – o IESS – realizou um estudo para tentar enxergar a quantidade de internações para a terceira idade em 2030. O resultado final aponta que o envelhecimento será responsável por 30% dos pacientes e, entre 59 anos ou mais, vai mais que dobrar. Atualmente, 12,5% dos quase 50 milhões de usuários de planos particulares são idosos, sendo que 90% tem alguma doença crônica. Colapso total? Não! No entanto, não podemos continuar com um sistema que valoriza hospitais e especialistas, estabelecendo pouco relação com a medicina preventiva, recorrendo a tratamentos milagrosos e cheios de efeitos colaterais. A saúde deve ser colocada no pedestal, reforçando a frequência e acompanhamento continuo do individuo como algo singular. Desfocar da doença e abraçar as pessoas, sendo necessário para os setores público e privado.

Estamos exagerando? Não vamos nos defender, mas todos sabem que o médico ideal para acompanhar um idoso é o geriatra. A falta de acesso a um médico especialista nessa área leva a sérios riscos, pois, como falamos, a terceira idade vai e vem sem rumo.

o SUS pensa no idoso?

O idoso está à deriva, vivendo sob a luz da sorte ou da genética e dinheiro excessivo. Vejam o gráfico e tirem suas conclusões:

A sociedade, as instituições e as pessoas precisam pensar mais em prevenção, mudando hábitos para evitar ou postergar as doenças crônicas que podem chegar na velhice. Somos seres singulares, valorizando o indivíduo como responsável pelo resultado é a melhor forma de colher bons resultados. Não só pelo lado do paciente, os médicos deveriam sugerir uma mudança no sistema de cobrança: valorizar o desempenho e não a quantidade de procedimentos. Vale lembrar que somos um só e a melhora de qualquer sistema significa menos sofrimentos para todos. Não podemos mais nos preocupar apenas com o nosso acesso a saúde. Vem se informar no Avôvó!

Veja também no Portal AVôVó:

Empreendedorismo na terceira idade. Por que não?

 

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Claudio Mello
O Avôvó é um portal colaborativo criado especialmente e inteiramente dedicado a um público cada vez mais conectado: a terceira idade. Aqui, não só o idoso se sente em casa. Nosso objetivo é também levar conteúdo relevante para familiares, amigos e profissionais que cuidam dessas gerações que chegam à melhor idade redefinindo conceitos e com cada vez mais interatividade e independência, mostrando que idade é só um número.

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