Saúde Mental

O que é demência? Quais são os tipos?

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No Brasil, dados doIBGE indicam que a população de idosos dobrou nos últimos 20 anos.

Certas conquistas tecnológicas da medicina moderna que ocorreram ao longo dos últimos 70 anos, como o desenvolvimento de novas vacinas, antibióticos, quimioterápicos e exames complementares de diagnóstico, além dos avanços na área da assepsia, entre outros, favoreceram a adoção de medidas capazes de prevenir ou curar muitas doenças até então fatais.

Consequentemente, a redução nos níveis de mortalidade foi observada para todas as faixas etárias da população.

Entretanto, juntamente com isto, explicitou-se um paradoxo.

O aumento da faixa etária de idosos resultou no surgimento de doenças típicas dessa idade que antes não se dimensionava a existência.

Envelhecimento saudável

O envelhecimento saudável é caracterizado por um declínio próprio da idade devido a processos fisiológicos que geram mudanças evolutivas no decorrer da vida.

Por esta razão, a distinção entre perdas esperadas para a idade avançada e as que caracterizam início de um processo de deterioração patológica se torna tão difícil.

Podem fazer parte do processo de envelhecimento saudável: dificuldade em alternar e dividir a atenção entre dois ou mais estímulos, lenificação motora e da velocidade do processamento mental, comprometimento discreto de memória para fatos recentes, não se recordar de ações que planejou efetuar no futuro, dificuldade de novos aprendizados.

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Comprometimento neuro cognitivo leve

O comprometimento neuro cognitivo leve também é caracterizado por perdas.

Porém, estas são maiores que as comuns do envelhecimento saudável.

Não são intensas como as que ocorrem nos quadros demenciais, o que permite que o indivíduo, mesmo que com algumas dificuldades, venha a manter sua independência frente às atividades de vida diária.

Esta população encontra-se num estágio intermediário entre o envelhecimento normal e os processos demenciais, apresentando elevado risco de desenvolver demências.

Quadros demenciais

Demência não é uma doença, e sim, um termo utilizado para descrever uma síndrome.

Ou seja, um grupo de sintomas que podem acompanhar certas doenças ou condições.

Demência é um estado clínico produzido por diferentes e numerosas causas.

Ocorre declínio da capacidade cognitiva associado a alterações comportamentais, com perda da capacidade de executar tarefas complexas.

Precisa-se obrigatoriamente considerar o nível de funcionamento intelectual prévio.

Portanto, demência pode ser definida como uma síndrome determinada por deterioração da capacidade intelectual.

É suficientemente intensa para comprometer a execução das atividades de vida diária do indivíduo, assim como influenciar sua independência.

Atualmente, a quinta edição do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-V) publicado pela Associação Psiquiátrica Americana (APA, 2013) agrupa os quadros demenciais sob a classificação de Transtornos Neuro cognitivos.

Os quadros demenciais podem ser subdivididas em dois grupos: os de causas reversíveis e os de origem irreversível.

As demências reversíveis podem ser causadas pelos seguintes fatores: depressão, quadros endócrinos (hipotireoidismo ou hipertireoidismo, dentre outros), má nutrição, deficiências vitamínicas (B12, ácido fólico, tiamina), anemia, desidratação, uso indevido de medicações, hidrocefalia normotensiva, infecções e tumores cerebrais.

Ao se tratar a questão originária, os sintomas demenciais habitualmente desaparecem.

As demências irreversíveis são caracterizadas por processos degenerativos do cérebro.

Fazem parte deste grupo: doença de Alzheimer, doença vascular, doença de Creutzfeldt-Jakob, doença de Huntington, doença de Pick, doença de Parkinson, demência associada à aids e demência decorrente de traumatismo craniano.

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Conheça as principais causas de demência senil

A demência na doença de Alzheimer é a de maior prevalência, sendo 60 a 80% dentre os casos demenciais.

Tem como característica o inicio insidioso. É decorrente do depósito de duas proteínas no cérebro: a proteína beta-amilóide e a proteína tau.

Aproximadamente 5% dos indivíduos entre 65 e 75 anos de idade desenvolvem este quadro.

Com o aumento da idade, a partir dos 85-90 anos, a perspectiva aumenta para quase 50%. Nestes casos, sua evolução é lenta, porém gradativa.

Fatores genéticos influenciam seu surgimento. Manter rotina diária de atividades que venham a estimular tanto o cérebro como o corpo pode ser considerado fator de neuro proteção.

Geralmente, sua principal característica é a perda de memória para informações recentemente aprendidas.

Somado a isto, pode ocorrer esquecimento de datas ou eventos importantes, fazer perguntas repetitivas, não se recordar local em que guardou objetos.

Nomes de objetos podem ser esquecidos ou nomeados erroneamente.

Dificuldades quanto à orientação espacial podem surgir, como se perder em ambientes familiares e incapacidade de aprender novos caminhos.

Os movimentos relacionados à motricidade ampla e fina podem se tornar mais lentos e menos precisos; além disto, ocorre um aumento da latência de respostas.

A capacidade de abstração tende a diminuir. Também podem ocorrer atos incongruentes com a personalidade e comportamento característico do indivíduo, assim como outros sintomas psiquiátricos

AVC

Quadros vasculares são considerados a segunda maior causa de demências, com estimativa de 10% dentre estes.

São oriundos dos acidentes vasculares cerebrais (AVC) também conhecidos como derrames, que podem ser pequenos, múltiplos e cumulativos, resultando em quadros de início insidioso e gradual, ou de maior espectro, resultando em início abrupto e agudo.

Sua prevalência é menor que 10% indivíduos acima dos 60 anos de idade, com aumento para 30% dentre os idosos a partir dos 85 anos de idade.

Os prejuízos, quanto à gravidade e comprometimento, dependem da localização e extensão do AVC.

Este problema é tratável e há como interferir para que não evolua. É possível evitar a repetição de AVCs através do controle da obesidade, da hipertensão arterial (pressão alta), do diabetes, dos níveis de colesterol e glicemia, do tabagismo e pela prática de atividade física frequente.

Cerca de 80% dos AVCs afetam regiões cerebrais responsáveis pela concentração, capacidade de julgamento das situações com bases nas regras sociais, habilidade planejar e colocar em sequência adequada as etapas para se alcançar determinado objetivo, controle das emoções, controle da impulsividade, alterações motoras da fala, da marcha e de controle dos esfíncteres.

Apenas 20% dos AVCs afetam regiões cerebrais relacionadas à memória.

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Prevenção

Acreditamos atualmente que na verdade, a maioria dos quadros demenciais se devam ao somatório de lesões degenerativas da doença de Alzheimer.

Além disso, tem se tornado cada vez mais evidente a possibilidade de prevenção da demência pelos hábitos de vida saudáveis (alimentação balanceada e estilo de vida ativo) e tratamento dos fatores de risco (diabetes, pressão alta, colesterol, etc), desde que iniciados precocemente na vida adulta.

Este artigo foi escrito com a colaboração da psicóloga Mariana Kneese Flaks (CRP: 06/62243-2), especialista em Psicologia Hospitalar e Neuropsicologia pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-FM-USP), doutora em Ciências pelo Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas  FMUSP, pós-doutora em Ciências pelo Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e neuropsicóloga do Instituto Longevità.

fonte: minhavida

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