Ocorre que um sentimento tão poderoso como o ódio, num dado momento, acaba gerando ações.

E ações movidas pelo ódio nunca poderiam resultar em boa coisa.

Surgiram assim, os denominados crimes de ódio, que são aqueles motivados por preconceitos, nos quais a vítima é escolhida por pertencer a um determinado grupo: negros, mulheres, homossexuais, índios, pessoas com deficiência, judeus, evangélicos e assim por diante.

Estamos vivendo um momento que nos assusta exatamente porque um imenso número de pessoas passou a ter orgulho do próprio ódio, bem como a cultivá-lo ao invés de buscar ferramentas para combatê-lo.

Chegamos ao absurdo de ver gente batendo no peito, dizendo que cometer um crime de ódio não é uma ideia que esteja fora de questão.

Tem cada vez mais gente vangloriando a violência e a ignorância e nós precisamos conversar sobre isso.

Questionar o nosso ódio é questionar os nossos medos.

É se ver obrigado a olhar para si mesmo, para sua história, seus traumas, sua criação, seus receios. O ódio não brota sozinho, ele sempre tem uma raiz.

De onde vem isso?

Por que estou sentindo isso?

Será mesmo que eu preciso continuar sendo refém disso?

É através dos meus ódios que eu quero criar a minha identidade?

Uma pessoa que diz odiar os homossexuais (lembrando sempre que isso, na realidade, é um crime, não uma simples opinião), obviamente tem um medo em relação a isso.

Será o medo de que isso, em tese, pudesse influenciar o comportamento dos seus filhos?

Será o medo de olhar para a sua própria sexualidade?

É óbvio que duas pessoas que se amam não deveriam provocar medo nem ódio.

Quando provocam, há algo de errado com quem sente, não com quem ama.

O ódio tem que ser abortado. Elimine-o.

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Muitos desses medos têm a ver com a sensação de ameaça.

Alguém que ameace o meu poder, os meus privilégios, aquilo que julgo que é meu- e só meu- por direito.

A emancipação da mulher causa isso.

O combate ao racismo causa isso.

O ódio, nesses casos, tem a ver com uma necessidade de manutenção de um status quo, sem o qual determinados sujeitos se sentiriam sem chão.

É triste ver como essas eleições estão tendo o ódio como locomotiva.

Alguns definem seu voto pela identidade de ódios, outros votam em um simplesmente por odiar os outros.

A minoria passou a ser aquela que busca identidade na ideologia e nas propostas, enquanto a maioria só busca a convergência de ódios.

Em que momento permitimos que isso acontecesse?

Eu me nego a acreditar que as pessoas sejam assim tão rasas- para não dizer ruins.

Será mesmo que as pessoas vão deixar que as suas angústias e seus medos relativos aos rumos do país sejam conduzidos única e exclusivamente pelo ódio?

Será mesmo que alguém acha que esse é o caminho?

Que tristeza.

Ainda dá tempo de mudar de ideia.

fonte: emais Estadão

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