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O idoso como porto seguro do jovem

O idoso como porto seguro do jovem

O idoso como porto seguro do jovem.

O “Conflito e Cooperação entre Gerações” deve existir para garantir um desenvolvimento seguro e equilibrado.

O jovem deve recorrer ao idoso e o idoso deve se renovar com o jovem.

O Avôvó nasceu para quebrar a ideia que velhice é sinônimo de incapacidade. Estar na chamada “melhor idade” deve ser motivo de alegria e satisfação, pois cada vez mais a sociedade contemporânea está entendendo o papel positivo dos idosos em benefício da coletividade.

O idoso é essencial na formação das novas gerações, ajudando os mais jovens na missão de entender as mudanças do mundo moderno.

Não estamos falando de tecnologia e novas tendências, isso o jovem sabe muito bem, mas de questões emocionais e cotidianas da vida adulta.

Nem sempre é possível trabalhar no emprego certo, o namorado(a) pode não ser a pessoa certa para o resto da vida e o convívio social pode não ser o melhor.

Por isso, selecionamos uma excelente entrevista – realizada pelo portal IG – com o autor de “Conflito e Cooperação entre Gerações”.

O idoso como porto seguro do jovem

Neto com vovô no parque no piquenique | Foto Grátis

José Carlos Ferrigno é psicólogo e especialista em questões comportamentais: “Desafio maior é envelhecer em paz, sem ser pressionado por um ideal”.

A convivência entre gerações é fruto dos muitos fatores que nos atingem como sociedade: economia, politica e evoluções tecnológicas.

Os especialistas alertam que nos anos 90 começaram a acontecer os eventos com essa visão intergeracional.

O psicólogo e autor explica que não é possível adquirir vantagens a distância: “A riqueza cultural se dá quando há o convívio”.

Não vamos nem falar sobre questões psicológicas, pois, acho que ninguém duvida, o idoso tem papel importante como alicerce na vida dos adolescentes.

No entanto, no cerne da discussão politica e cultural, o idoso proporciona – na maioria das vezes – conflito de visões e enriquece o debate.

“É o que cria a possibilidade de o mundo ser construído e reconstruído”, resume Ferrigno

 

O autor concedeu uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

Veja a entrevista e entende a visão do psicólogo, melhorando o entendimento sobre a obra.

Como é a relação entre o idoso e o jovem?

José Carlos Ferrigno:

O segredo é entender a fina dialética entre o velho e o novo.

Afinal, um depende do outro. A transmissão dos mais velhos aos mais jovens é reelaborada para que os jovens apresentem a novidade.

A esperança está sempre na inovação que as gerações vão trazendo.

Na Alemanha e na Grã-Bretanha, por exemplo, as gerações trabalham lado a lado, ombro a ombro.

O alvo dos programas intergeracionais não é beneficiar as relações em atividade, mas sim a comunidade.

É um passo adiante.

O que esses programas têm a nos ensinar?

Eles representam um norte, um ideal a ser perseguido.

Não se trata mais de motivar os jovens e velhos a interagirem em atividades culturais.

E sim ter o grupo intergeracional, formado e consciente de suas responsabilidades sociais, trabalhando para a comunidade.

Eles têm como objetivo o desenvolvimento da amizade e da coeducação entre gerações.

Isso significa que uma geração tem muito a ensinar a outras em função de suas experiências.

O que uma geração pode agregar à outra?

As mudanças que acontecem quando viramos avós | MdeMulher

O repasse dos mais velhos para os mais jovens tem a ver com a importância da tradição, do conhecimento, de valores éticos.

Já dos jovens para os mais velhos tem a ver com novas tecnologias e com uma maior flexibilidade para lidar com questões mais polêmicas, como sexualidade e drogas.

Quais são os maiores desafios da velhice hoje?

O desafio maior é envelhecer em paz, sem se sentir pressionado por um ideal, e ficar menos vulnerável à pressão de consumo.

São muitos apelos por um envelhecimento saudável, mas percebe-se forte manipulação na mensagem dirigida aos idosos.

Há uma indústria milionária vinculada a atividades físicas, cirurgias plásticas, cosméticos e medicamentos, que impactam fortemente a velhice.

Isso significa que envelhecer bem tem mais a ver com a cabeça do que com o corpo?

A chave é o autoconhecimento e saber o que se quer para a velhice.

Os budistas já diziam que não é possível desconsiderar a opinião dos outros, mas é possível minimizá-la e ganhar liberdade.

Tem que haver esforço para a pessoa não ficar presa à aparência e necessitada da opinião alheia.

Se a pessoa quiser malhar, tudo bem.

E se ela quiser uma vida mais tranquila e parada, ela também merece respeito por sua decisão.

O idoso como porto seguro do jovem

Avô e neto na leitura do parque | Foto Grátis

São diferentes as velhices no Brasil?

Sim, há um contraste do ponto de vista cultural, econômico e de oportunidades.

Além de pressões de ordem material, há os diferentes estilos de vida.

A velhice de um trabalhador rural tem a grande vantagem do contato com a natureza, mas, por outro lado, este velho pode perder experiências interessantes mais encontráveis em uma região urbana.

E vice-versa.

Portanto, o melhor lugar para um velho pode ser tanto a paz do interior, como a agitação das grandes cidades.

O que modificou o perfil da velhice?

Principalmente em classes médias e altas, que têm mais acesso ao consumo, há uma nova imagem de velhice.

Nota-se uma outra postura, uma vontade maior de participação na sociedade e de experimentar novidades tecnológicas.

Os velhos de hoje adotam um estilo de vida que pode aproximá-los dos jovens.

Mais recentemente, esses movimentos começam a tornar menos intensa a separação das gerações.

O que é “ficar velho” hoje em dia?

Os velhos e jovens se vestem de modo cada vez mais parecido.

A própria internet cria situações em que um jovem pode se passar por um velho ou o contrário.

Mas aproximar não significa conviver bem, os desafios se mantêm.

O que está em jogo é a qualidade dessa relação, que precisa de boa vontade mútua.

O que os idosos podem cobrar da sociedade?

Avô e neto farreiam na comédia "Tirando o Atraso" - Metrópoles

Há vários problemas e um deles é econômico.

A maioria dos idosos depende do INSS e recebe de um a dois salários mínimos, o que dá cerca de R$ 1.000.

A complementação do INSS, como a previdência privada ou a poupança, fica restrita à classe média.

Há também a questão da saúde. Ainda não existe atendimento digno na saúde deste país.

E o atendimento de convênio custa caro e também deixa a desejar.

E que espaço eles, os mais velhos, poderiam ocupar?

A gente tem uma perspectiva de que os velhos podem ter um papel e uma função social que não existia antes.

Isso tende a crescer nos próximos anos.

É a compreensão de que o envelhecimento não determina incapacidade e incompetência significativas.

Também não se pode só dourar a pílula, há uma perda sim.

Porém, a velhice não pode ser vista do ponto de vista das limitações, mas de suas potencialidades.

O idoso como porto seguro do jovem

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Qual o cenário ideal?

Em vez de enfatizar o diabetes, a insuficiência cardíaca, aquilo que é precário, vamos olhar a funcionalidade do sujeito.

Ou seja, não é a visão da doença, e sim da pessoa.

A ênfase do papel social do idoso faz com que ele passe a se valorizar, evitando o desespero, aquela sensação de que está chegando no fim da linha.

Essa postura da sociedade dá autoconfiança para o idoso superar as dificuldades.

O idoso é mais livre hoje em dia?

 

Com as atividades físicas e culturais, o velho passa a ter mais liberdade e menos tempo para a família.

Não é que a avó deixou de gostar dos netos, mas agora ela tem uma agenda e tem que negociar os horários.

Não está mais o tempo todo à disposição para ajudar ou ser mão de obra.

Como lidar com idosos mais fragilizados?

Sugiro que os filhos e netos parem para pensar em tudo aquilo que esses velhos fizeram durante a sua vida e que levaram a família a estar onde está.

Isso implica no desenvolvimento de empatia e compreensão, inclusive pensando na própria velhice.

A questão é perceber a necessidade do outro, dialogar e se interessar pelo outro.

O idoso como porto seguro do jovem

Vovô e neto sentados na cama | Foto Premium

Quais são os conselhos práticos?

O ser humano é o único animal que faz da refeição um momento de confraternização.

Mas perdemos o antigo hábito de jantar em família.

Hoje tem micro-ondas e cada um tem seu quarto, sua TV.

Cada pessoa chega em um horário, esquenta a comida no micro e vai para o quarto.

O diálogo diminuiu, por isso as pessoas precisam conversar mais.

Os finais de semana podem ser uma oportunidade de a família se reencontrar.

Folhear álbuns de família também pode ser de muito valor para recuperar a história familiar e gerar o enraizamento dos mais jovens.

Sinopse do livro:

Partindo do princípio de que não há juventude ou velhice no singular, mas diferentes realidades envolvendo jovens e velhos, a obra discute as diferenças sociais entre essas gerações em nosso país, propondo o lazer como estratégia de aproximação.

Concebido como doutoramento na área de Psicologia Social, o livro associa a pesquisa teórica a um vasto trabalho de campo, embasado em entrevistas de jovens e idosos.

A obra aborda os seguintes eixos: novas formas de envelhecer e possibilidades de relacionamento entre as gerações; conflito entre gerações; cooperação e solidariedade como meios de superação de conflitos; o lúdico como forma de socialização.

O livro traz, ainda, um histórico de programas intergeracionais, dentre os quais o da Unesco e o Programa Sesc Gerações.

Veja também no Portal AVôVó:

“O poder do hábito” não tem idade! livro recomendado AVôVó

 

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