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Idosa com 90 anos escreve livro sobre suas experiências de vida

livros para a terceira idade

Idosa dá exemplo de como chegar na terceira idade com autonomia e sem solidão.

Aos 90 anos, a socióloga Clarice Carneiro Baccini, que vive em Florianópolis, lançou neste mês um livro com dicas sobre como tratar as pessoas da terceira idade.

A obra ‘Longevidade: como lidar com ela’ foi feita depois de anos acompanhando idosos em asilos na capital catarinense.

Para a escritora, o livro é uma espécie de manual prático de como lidar e tratar quem na sua família tenha chegado à terceira idade.

“Todo velho tem medo de ficar sozinho e morrer sozinho. Será que eu serei aceito? Será que não vão cansar da minha presença?”, disse.

O inconformismo com a realidade acompanha Clarice desde cedo. Em São Paulo, onde nasceu, já se destacava desde a juventude por ser alguém à frente do seu tempo.

Ela era independente, irrequieta e teimosa.

“Desde criança, não me obriguem que eu não faço.

Eu sou birrenta”, afirmou.

Desde menina, ela gostava dos estudos, mas precisou parar a fim de ser mãe e cuidar dos três filhos.

Aos 57 anos, decidiu encarar uma faculdade e aos 61 se formou socióloga.

“Fui tão bem acolhida pelos colegas, eu me tornei ali uma líder”, contou.

Depois de formada, ela liderou diversos trabalhos sociais em São Paulo, até ficar viúva e escolher Santa Catarina para seguir a vida.

A socióloga Clarice Carneiro Baccini vive em Florianópolis e lançou livro sobre a terceira idade. — Foto: Reprodução/NSC TV

A socióloga Clarice Carneiro Baccini vive em Florianópolis e lançou livro sobre a terceira idade. — Foto: Reprodução/NSC TV

Na capital, fez especialização em gerontologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde teve contato durante anos com idosos em asilos da Grande Florianópolis, com uma realidade que muitos desconhecem ou ignoram.

“Eles estão ali vegetando. Nós temos que fazer programas que estimulem eles a trabalhar a mente e também conscientizar as famílias que o idoso não pode ser descartável.

Enquanto você puder manter o idoso, um pai, uma mãe, avós ao seu lado, isso é um benefício social muito grande”.

Clarice foi transformando essa experiência com asilos numa espécie de diário.

E, depois de oito anos escrevendo e pesquisando, ela terminou o livro.

“Todo mundo devia conhecer a psicologia do idoso.

Leia a matéria que trata: por que os homens idosos se isolam mais, clicando aqui

O que ele espera da vida?

O que ele quer?

O idoso, se ele se torna birrento, malcriado, ele está chamando a atenção sobre ele”, disse.

“O principal do livro é isso: não rejeitar os idosos como material descartável.

Estou muito feliz com esse livro porque estou levando uma mensagem de apoio aos meus iguais”, completou.

A obra não é contra asilos, mas sim um alerta aos filhos e famílias para que não esqueçam seus idosos nesses lugares.

Clarice sugere ainda um modelo diferenciado, uma espécie de ‘casa dia’.

“Os pais não levam os filhos pra creche?

Quase todos hoje, logo cedo, logo bebezinhos?

Então, deixa os filhinhos na creche, e o pai ou a mãe na casa do idoso.

Passa o dia lá, com uma instrutora condizente com a idade, para que ele se sinta participante da vida ainda”, disse.

A escritora também dá um puxão de orelhas em quem se esquece dos mais velhos, mesmo não estando num asilo.

“O tempinho que tenha, vai visitar os velhinhos”.

fonte: G1 Santa Catarina

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