Comportamental

A hora da gratidão para com os idosos

A hora da gratidão para co os idosos

Depois de uma vida dedicada a filhos e netos, chega o momento de os mais velhos receberem atenção.

Mais de cinco décadas separam a aposentada Lucia Mury Ganem, 70 anos, dos quatro netos adolescentes.

Mas, considerando a convivência entre eles, parece que ela também nasceu na década de 90, ou eles na de 40.

Não há ‘crise’ entre gerações e o fenômeno, não tão comum, só traz benefícios.

Paciência, proximidade e bom relacionamento com os idosos garantem um envelhecimento mais saudável, dizem especialistas.

Salo Buksman, membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, diz que a terceira idade é a hora de receber a gratidão das gerações mais novas.

“Os idosos são responsáveis por tudo o que os mais jovens têm e são.

É preciso atitude de solidariedade e cuidado”.

De acordo com a psicóloga Anita Liberalesso Neri, professora da Unicamp, para os jovens é mais fácil conviver com idosos mais ‘antenados’ e cientes do que acontece no mundo.

Lucia é a ‘companheira de todas as horas’ dos netos.

Ela, que é avó de outros três, só que ainda crianças, é convidada para programas como cinema, passeio no shopping e até jogos da Copa no Maracanã.

“Esse relacionamento me faz bem.

Tenho com eles uma experiência que não tive com meus filhos, porque estava trabalhando na época”.

a hora da gratidão

A boa convivência porém, não é tão fácil quando o jovem se depara com um idoso dependente e,  por não conhecerem a doença, os jovens sentem vergonha dos avós.

“Os pais vão trabalhar, e quem convive com os idosos são os jovens. Se entenderem a doença, poderão sinalizar quando algo for mal”.

 “É preciso ter compreensão e paciência” 

Conviver bem com idosos é dívida de gratidão, segundo Salo Buksman, da Sociedade Brasileira de Geriatria.

O convívio, que nem sempre é fácil para os adolescentes, pode, inclusive, definir o tempo de vida dos mais velhos.

1. Quais são os problemas mais recorrentes entre os idosos?

— Quase metade das pessoas tem um envelhecimento bem sucedido, com saúde física e mental e independência.

Associa-se idoso a doença e incapacidade, e isso não é verdade.

Mas os problemas mais recorrentes seriam doenças neurodegenerativas, como Alzheimer; depressão; doenças cardiovasculares e ortopédicas.

2. Como o contato entre gerações ajuda?

— Esse contato pode enriquecer as duas partes. O mais jovem escuta fatos do passado que ele desconhecia e, quando dá atenção ao idoso, se sente uma pessoa melhor, vê que é gratificante.

Já o idoso, quando transmite conhecimento, se sente prestigiado e apresenta melhora na autoestima.

Para mim, o valor desse contato para ambos deveria ser ensinado nas escolas.

a hora da gratidão

3. A atenção e o carinho dos jovens e de outros parentes refletem na saúde?

— Sim. Esse contato costuma provocar uma melhora global da saúde física e mental.

O idoso bem cuidado responde melhor a tratamentos de doenças.

A atenção familiar melhora também a recuperação e, em alguns casos, interfere até no tempo de vida do idoso.

4. Como o tempo dos jovens com os idosos deve ser aproveitado?

— O ideal é que esse tempo seja gasto não só em conversas, mas também em passeios.

Muitas vezes, o jovem é as pernas e os braços do idoso que não tem capacidade de ir a museus e restaurantes sozinho.

A convivência é importante, mas muitas vezes o adolescente não tem paciência. Por quê?

— Existe uma dívida de gratidão com os idosos.

Acontece que, às vezes, o adolescente é muito egocêntrico e não está preparado para sair de si.

Ele tem que ser ensinado a fazer isso, a se doar.

Não é fácil ter paciência com o idoso doente, mas é preciso entender o que está acontecendo e ter compaixão.

a hora da gratidão

6. Uma reclamação comum é a de que o idoso tem manias…

— Na verdade, com o envelhecimento, a pessoa perde a capacidade de adaptação e passa a criar rotinas, porque assim se sente seguro.

Tudo o que sai dessa rotina deixa o idoso aflito e preocupado.

Não são manias.

A flexibilidade mental diminui.

VôVó para se ter uma boa convivência, necessitamos também facilitar a mesma, entretanto não seja negligente nesse quesito, ou seja, se esforce, seja meiga, educada e atraia sempre amor e sorria muito.

Isto facilitará as coisas.

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Amor sem faixa etária na terceira idade

 

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