Comportamental

Felicidade não se atinge somente na juventude

Felicidade não se atinge somente na juventude.

O psicanalista e escritor Contardo Calligaris é um dos intelectuais mais influentes em atividade no Brasil.

Em entrevista ao programa Impressões, da TV Brasil, o italiano radicado no Brasil fala do comportamento dos jovens e adolescentes e também manifesta a sua visão sobre o sentido da vida.

Na conversa, ele revela os motivos que o fizeram refletir sobre esse tema.

“Deve ser porque a minha [vida] está acabando e é sempre um bom momento para pensar,” declara, aos risos.

“Esse assunto de alguma forma sempre me preocupou, mas não é um assunto realmente para jovens.

Então, esse questionamento existe, mas é um tipo de meditação para que seja frutífero.

É uma meditação para o último terço da vida”, acrescenta.

Para Calligaris, a felicidade não se restringe ao conceito de juventude.

As pessoas da terceira idade, contrariamente ao que os adultos e os jovens imaginam, não são as mais infelizes.

Ao contrário.

Vivem melhor, porque são as pessoas que vivem com mais atenção a sua própria vida.

No fundo é uma questão de atenção.

Um dos problemas da insatisfação contemporânea é que somos extremamente desatentos”, afirma.

O psicanalista Contardo Calligaris fala à TV Brasil

Sobre os valores adotados pela juventude, o psicanalista lembra os tempos em que era terapeuta de adolescentes.

Diz que o Brasil convive com um verdadeiro “espantalho”, que é a obsessão com o vestibular e o ingresso nas universidades.

 “Você ouve pais falando como se a adolescência inteira fosse só um exercício de preparação para o vestibular.

O problema é que o sentido da vida é estudar para entrar na universidade.

Mas a gente tem que pensar, ou pelo menos se colocar uma vez essa pergunta:

– E se meu filho, minha filha, se eles – Deus não queira – morressem amanhã? É muito importante que a vida deles tenha valido a pena”.

Sobre o sentimento de felicidade, é categórico: 

Não é nem exato dizer que eu busco a alegria, mas eu prezo a alegria.

A felicidade sempre me faz a impressão de uma coisa um pouco estúpida.

Uma espécie de propaganda de margarina numa manhã falsamente ensolarada”.

E é crítico em relação a esse sentimento fabricado pela superexposição nas redes sociais.

“As contas de facebook e de instagram são, de certa forma, a mesma coisa que uma fotografia com um falso sorriso. São fundadas na pretensão de mostrar aos outros uma esperança, um pouco triste…de suscitar a inveja dos outros”.

Para o psicanalista, a sociedade é vítima de uma cultura que a convence de que o sentido da vida está após a morte, no futuro e até mesmo nos próximos projetos que serão realizados.

Na visão de Calligaris, o trajeto percorrido é que deve ser valorizado.

Na sua opinião, é preciso praticar um olhar diferenciado diante do cotidiano. 

Valorizar a vida da gente não significa, necessariamente, querer ter comportamentos e gestos heroicos que mereçam registros na televisão.

Valorizar a vida é saber transformar a ida de cada dia à padaria da esquina, numa aventura de descoberta dos outros, do que acontece na rua, do cachorro com o qual você cruza”.

 “O sentido da vida é a própria vida.

Isso pode parecer uma total trivialidade, mas para a maioria das pessoas é um escândalo.

Pouquíssimas pessoas conseguem viver pensando que o sentido da vida está na vida e, vou dizer mais, é a própria vida”.

fonte: agência ebc brasil

Viver bem na terceira idade. Veja 10 dicas, clicando aqui

AnteriorPróximo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *