Dicas de Alimentação, Saúde Física

Dietas e obsessão por exercícios na mulher madura

O que fazer quando as dietas e a obsessão por exercícios viram um problema?

“Sempre fui sedentária, só comecei a me cuidar somente depois dos 40.

Comecei com dieta saudável e corrida três vezes por semana.

Mas depois virou vício.

Corria todos os dias, até machucada, não ia mais na casa dos amigos ou restaurantes para não sair da dieta.

Uma amiga psicóloga me alertou que o que eu tinha poderia ser uma doença psiquiátrica chamada Ortorexia.” Patricia, 48 (nome fictício).

Quando a gente pensa em transtornos alimentares como anorexia, o que nos vem à cabeça são adolescentes e jovens.

E as mulheres mais velhas?

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Não sofrem com os mesmos problemas?

“Dos três transtornos clássicos, que são bulimia, anorexia e compulsão, todos costumam começar na adolescência.

A tendência no caso dos dois primeiros é que as pacientes que sobrevivem tendem a melhorar com tratamentos.

A compulsão costuma se perpetuar até mais tarde, até porque não causa consequências tão drásticas além da obesidade”, diz o psiquiatra Eduardo Aratangy, supervisor da Enfermaria de Comportamento Alimentar (ECAL) e do Programa de Transtornos Alimentares do Instituto da Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo).

Mas, segundo ele, a partir de 2005 começaram a aumentar os casos de anorexia e bulimia em mulheres mais velhas também .

“Especula-se se a causa seria uma adolescência tardia na meia idade, pressão das mídias sociais pelo corpo perfeito, mas não há certeza das causas.

Chamamos de anorexia tardia.”

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O que vem chamando atenção, segundo ele, é um outro fenômeno recente que vem atingindo principalmente as mulheres maduras: a incidência de ortorexia e vigorexia, dois transtornos que tem origens semelhantes.

“Temos visto muitas mulheres que chegam aos 40 e começam a sofrer com uma preocupação excessiva com o corpo”, diz o médico.

Segundo ele, o que pode estar levando mulheres mais velhas a esse quadro é a obsessão por tentar manter-se jovem que leva a um quadro patológico de um estilo de vida aparentemente saudável, mas que causa sérios prejuízos à saúde no final das contas.

Mas como saber quando o estilo de vida saudável pode ter se tornado uma doença?

Ortorexia

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Segundo Eduardo, muitas mulheres começam a se cuidar com excesso de dietas extremas em busca de adiar a velhice.

“Há uma obsessão com dieta detox, dieta antioxidante, com restrição de uma série de alimentos sem razão alguma, como o glúten, mesmo para quem não tem intolerância.

E também o exagero no consumo de suplementos.

Já vimos pacientes que chegaram a perder os rins por excesso de vitaminas”, diz o médico.

Não estamos aqui falando que ter uma vida com dieta natureba e consumir suplementos seja errado!

Muito pelo contrário, eu mesma sou super adepta.

Mas, o exagero pode levar a um quadro de doença, que causa ansiedade, falta de nutrientes e isolamento, exatamente o oposto do que se almeja.

“É muito claro que, quando uma mulher deixa de ter contato social, restringe o espaço vivencial, se isola, tudo para manter a dieta perfeita, tem algo errado”, diz o psiquiatra.

Evitar ir a uma festa ou encontrar amigos em determinado restaurante para não sair da dieta são sinais de alerta.

Abrir mão de grupos de alimentos e viver sofrendo por isso também.

“Manter uma alimentação que deixa a pessoa infeliz, isolada e ansiosa é sinal de que algo está errado.

” Outra característica importante é ficar obcecada pela pureza do que come.

Se recusar a comer qualquer coisa que não seja orgânica, por exemplo.

“Já vi paciente que não ia a determinado restaurante porque a panela é de material que não é o que ela considera saudável.

A vida não pode ser de extremos assim.

Vigorexia

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Canso de falar aqui da importância da atividade física para quem passou dos 40.

Musculação, principalmente, é fundamental para evitar a perda muscular.

E também não há nada de errado em querer cuidar do corpo pelo lado estético, por vaidade.

Mas acontece que depois de uma certa idade não vai dar para voltar a ter o corpo que tinha aos 20!

“Vemos mulheres que nunca fizeram nada de atividade física quando jovens ficarem literalmente viciadas em corrida mais velhas.

Mesmo com lesão, seguem se exercitando sete dias por semana.

Isso se aproxima de vícios como por compras, por jogos…”, alerta Eduardo.

Deixar de viajar ou de ir a compromissos sociais para não deixar de malhar é algo esta errado!

Compulsão alimentar

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Taí algo que eu já senti na pele.

Sofri desse mal por anos desde a adolescência e sei bem como a gente se sente.

Foram anos de terapia com psicólogo e acompanhamento nutricional para finalmente me ver livre e passar a ter uma relação saudável com a alimentação.

Compulsão não é aquele “enfiar o pé na jaca” de vez em quando numa noitada de pizza ou se acabar numa caixa de bom bons na Páscoa.

“A compulsão leva a pessoa a comer muito rápido, com a sensação de perda de controle.

Ela come sem usufruir e depois sente raiva, tristeza, culpa e frustração.”, explica Eduardo.

E esses episódios se repetem com frequência. No meu caso, eu fazia dietas super restritivas, até que um belo dia descambava a comer descontroladamente.

Era um círculo vicioso.

O que fazer ?

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Se você se identificou com qualquer um desses quadros, procure ajuda.

“O ideal é ter um acompanhamento multidisciplinar, com nutricionista, médico e psicólogo”, recomenda Eduardo.

“Mas, se não for possível, procure terapia com psicólogo pelo menos”.

No meu caso, fiz a terapia cognitivo comportamental para tratamento da compulsão, e foi muito transformador.

E lembre-se: estilo de vida saudável, antes de mais nada, passa pelo equilíbrio.

Viver a vida, encontrar os amigos, comer coisas  “fora da dieta” de vez em quando, como um delicioso brigadeiro, são prazeres que também são são fundamentais para a gente ter saúde física

e mental.

fonte: viva bem

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