Saúde Física

Bengalas, muletas e andadores, como e qual usar?

tipos de bengalas

Bengalas, muletas e andadores, como e qual usar?

A bengala deve ser vista como um auxilio para quem precisa, possibilitando a correção de um desvio já existente.

No entanto, a variedade de opções e cada especialidade podem causar dúvidas!

Os dispositivos auxiliares de marcha – bengalas, muletas e andadores – são usados com frequência por idosos ou pessoas afetadas por problemas nos ossos e articulações, como fraturas e artrose.

Os mais conhecidos são a bengala, as muletas e o andador.

Eles são usados para fornecer maior liberdade de movimento e independência enquanto ajudam no equilíbrio.

Estudos demonstram que estes dispositivos aumentam a confiança e o sentimento de segurança nos idosos.

Além disso, a carga nas articulações do membro inferior pode ser reduzida, aliviando a dor articular e compensando fraquezas ou lesões.

Vamos fornecer um exemplo para que você possa entender o efeito significante que estes dispositivos podem ter: o efeito biomecânico do uso da bengala sobre o quadril.

Sem bengala: considerando que uma pessoa de 80 Kg está apoiada somente na perna direita, a força aplicada ao quadril direito é cerca de 200 Kg (cerca de 2,5 vezes o peso).

Você poderia pensar:  mas eu dificilmente fico apoiado em uma só perna.

Não, quando você está caminhando cerca de 40% do tempo você está apoiado em uma só perna.

Com bengala: se esta pessoa utilizar uma bengala no lado esquerdo (outro lado), uma força de cerca de 80 Kg será aplicada ao quadril direito.

Ou seja, usar bengala pode reduzir em cerca de 60% a força aplicada ao quadril do outro lado.

tipos de bengalas

Este foi um exemplo do efeito mecânico no quadril com o uso da bengala.

É necessário entender que este efeito irá variar conforme o peso da pessoa, a anatomia do quadril, a força aplicada na bengala pelo indivíduo.

A maneira como se segura a bengala também influencia a carga aplicada ao quadril, e segurar a bengala inadequadamente pode aumentar a carga no quadril em algumas situações.

Quando utilizadas adequadamente, a bengala, as muletas e o andador podem ser benéficos não só para a articulação do quadril, mas também aos joelhos, tornozelos e pés.

Estima-se que cerca de 6,1 milhões de adultos usam um destes dispositivos nos Estados unidos.

De todos os adultos norte-americanos com mais de 65 anos, cerca de 10% utiliza muletas e 4,6% utiliza andadores.

Entretanto, o uso de bengalas, muletas e andadores não é livre de riscos.

Mesmo em países com maior qualidade de vida, a maioria das pessoas não utilizam adequadamente estes dispositivos e os obtiveram por conta própria ou por conselho de familiares e amigos.

Cerca de 30% dos pacientes adquiriram por meio de um profissional médico e somente 20% recebeu educação adequada antes de utilizá-los.

Quais são os tipos de bengalas?

Bengalas podem ajudar a redistribuir o peso de um membro inferior fraco ou doloroso.

Além disso, aumentam a base de suporte e fornecem informação tátil ao usuário a respeito do piso para que este aumente o equilíbrio.

Existem vários tipos de muletas disponíveis, variando desde a parte onde se pega até onde ocorre o apoio no chão.

  • Bengala Tradicional ou Standard: problema no quadril, artrose e fraturas

A bengala tradicional ou bengala reta é geralmente feita de madeira ou alumínio, sendo de custo menor e leve.

As bengalas de madeira devem ser feitas conforme o tamanho do paciente, já as de alumínio são em geral ajustáveis.

  • Bengala com dobra ou “offset”: artrose e fraturas da bacia e quadril e fêmur

Estas bengalas são feitas de alumínio e com comprimento ajustável.

Em geral são melhores do que as bengalas tradicionais para pacientes que precisam apoiar o peso do corpo na bengala, por exemplo em pacientes com artrose do quadril e joelho.

tipos de bengalas

  • Bengala com quatro apoios: problemas no quadril

Bengalas com múltiplos apoios (três ou quatro) aumentam a base de suporte e permitem uma descarga de peso maior.

Outra vantagem é que estas bengalas ficam em pé sozinhas quando não utilizadas, o que libera as mãos para outras funções.

A principal desvantagem é a necessidade de todos os apoios tocarem o chão simultaneamente, e isto pode ser difícil ou impossível para algumas pessoas, especialmente aquelas que caminham mais rápido.

  • Diferenças nos cabos das bengalas

A bengala tradicional tipicamente tem um cabo em formato de cabo de guarda-chuva, o que pode aumentar o risco ou os sintomas de síndrome do túnel do carpo.

Um cabo mais plano distribui melhor a pressão nos músculos da mão.

Sulcos para o polegar e outros dedos são às vezes úteis.

Cabos com pegas de metal devem ser usados com precaução pelo risco de escorregar no caso de transpiração excessiva.

Quais são os tipos de muletas?

Muletas são úteis para os pacientes que necessitam usar seus braços para apoio e propulsão, e não somente para equilíbrio.

Dependendo da maneira usada, as muletas podem retirar a carga de ambos os membros inferiores ou de um, em variadas quantidades.

Entretanto, muletas requerem um substancial gasto de energia e força no braço e no ombro, sendo geralmente difíceis de serem usadas por idosos mais fracos.

As muletas são classificadas em axilares e de antebraço (ou muletas canadenses).

  • Muletas Axilares: problemas no quadril, fraturas no fêmur e artrose

muletas

Muletas axilares são geralmente baratas e propiciam andar sem apoio nos membros inferiores, porém são geralmente incômodas e difíceis de usar.

O apoio incorreto destas muletas na axila pode causar compressões nervosas ou de vasos.

  • Muletas de antebraço ou canadenses: fraturas do quadril e doenças no quadril, artrose

Estas muletas também proporcionam a retirada do apoio do membro inferior afetado.

As muletas canadenses possuem uma espécie de “algema” que permite que a mão fique livre sem retirar a muleta do antebraço.

Estas muletas são geralmente menos incômodas que as axilares.

Quais são os tipos de andadores?

Andadores melhoram a estabilidade em pacientes com fraqueza dos membros inferiores ou equilíbrio prejudicado.

Eles também facilitam a melhora na mobilidade ao aumentar a base de apoio ou suportar o peso do paciente.

Entretanto, andadores podem ser difíceis de manobrar e resultar em má postura e diminuição no balanço dos braços durante a marcha.

Subir escadas com andadores é uma tarefa difícil e um ponto fraco deste dispositivo.

  • Andadores tradicionais ou standard: problemas no quadril, fraturas do fêmur e artrose

O andador tradicional é o andador mais estável. Porém isto resulta em um caminhar lento desde que o paciente tem que elevar o andador completamente do chão a cada passo.

Isto pode ser um desafio para idosos com pouca força nos membros superiores.

  • Andadores com rodas frontais: problemas no quadril, como usar

Andadores com rodas dianteiras são melhores para pacientes com dificuldade para levantar um andador padrão ou que caminham rápido.

As rodas permitem ao paciente manter um padrão de marcha mais perto do normal do que com um andador tradicional, apesar de as rodas reduzirem a estabilidade.

andadores

  • Andadores com quatro rodas: fraturas do fêmur e doenças no quadril

Os andadores de quatro rodas são úteis para pacientes mais ativos que não precisariam de andador para apoiar o peso.

Apesar de ser fácil empurrar estes dispositivos, eles não são apropriados para pacientes com problemas cognitivos ou de equilíbrio significativos, tendo em vista que poderiam rolar inesperadamente e resultar em queda.

É comum que estes andadores venham com assentos, úteis para alguns pacientes que necessitam parar com frequência para sentar e descansar.

Quais os riscos das bengalas, muletas e andadores?

Conforme já discutido, os dispositivos auxiliares de marcha ajudam no equilíbrio e na movimentação dos pacientes.

Porém, algumas pesquisas indicam que estes dispositivos podem aumentar o risco de quedas e lesões em idosos.

Não se sabe se o aumento na mobilidade poderia na verdade ser a causa destes achados, na medida em que o idoso que se movimenta mais provavelmente cairá mais.

Outro risco refere-se ao estresse repetitivo nas articulações dos membros superiores, podendo causar lesões nos tendões, osteoartrose e síndromes de compressão nervosa e vascular.

Qual o melhor tipo de dispositivo auxiliar de marcha e como usá-los?

Nenhum dispositivo será o ideal para todas as situações.

A seleção do dispositivo mais adequado depende da força do paciente, resistência, equilíbrio, função mental e questões do local onde o indivíduo movimenta-se.

As características das doenças afetando o membro inferior ou superior frequentemente determinam qual o melhor dispositivo.

Estes dispositivos devem ser utilizados após a indicação e orientação com um ortopedista, fisiatra ou fisioterapeuta.

É importante esta orientação e o acompanhamento para avaliação do uso adequado e das condições do aparelho.

O uso inadequado destes dispositivos pode ser prejudicial.

Trinta a 50% dos pacientes param de usar seus dispositivos precocemente devido à falta de orientação e acompanhamento.

Fonte: Quadrilcirurgia

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