Filhos, pais, avós, dinheiro, educação financeira, assuntos que se relacionam de forma sempre tensa e muito particular.

Tema difícil, mas como gosto das finanças comportamentais, aqui vamos nós refletir sobre alguns pontos.

Avós ou pais?

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É fato que as relações familiares estão ficando mais confusas.

Por um lado, há muitos jovens que estão gerando filhos sem ter condições emocionais e materiais para criá-los.

Por outro, os pais desses filhos se sentem na “obrigação” de ajudá-los, muitas vezes motivados pela compaixão do neto recém-chegado, que nada tem que ver com todo esse problema.

Ocorre que nem sempre estes são os reais motivos.

Já tive contato com avós que me disseram gostar de sustentar seus filhos e netos para se sentirem ativos, em uma espécie de “fuga” da velhice, uma maneira de manter a responsabilidade e ter ainda “pelo que lutar e o que fazer”.

Não quero discutir se isso faz ou não faz sentido, nem se é bom ou ruim para a mente deles.

A reflexão que pretendo gerar é diferente: comportamentos assim por parte dos avós tendem a perpetuar a dependência dos filhos, já adultos, distorcendo o papel de cada um nas responsabilidades pela geração de renda para manutenção da vida.

O neto, que vai crescer vendo tudo isso e essa forma de administrar a família e o lar, terá uma visão também distorcida, e muito provavelmente seguirá com este ciclo, que trará prejuízos financeiros (e emocionais) para si, seus pais e avós.

Os motivos (e as consequências) quase nunca são bons

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Num primeiro momento, é bonito ver um pai ajudando financeiramente o filho, mas é preciso interpretar bem o cenário e cada caso.

Uma coisa são pais que possuem um ótimo patrimônio e separam uma parte deste montante, que não afeta seu padrão de vida, para presentear os filhos (ainda que adultos) com a intenção de ajuda-los a acelerar sua construção de riqueza.

Por outro lado, para que isso seja algo saudável, é importante que os filhos tenham consciência de que isso é um presente, uma ajuda voluntária, que precisa ser utilizada de forma responsável; mais do que isso, trata-se de capital que deve ser multiplicado, e não eliminado com consumos que visam atender desejos e vaidades de curto prazo.

Há ainda aqueles pais que sequer analisam o comportamento dos filhos ao receberem seus auxílios financeiros, pois, consciente ou inconscientemente, o que desejam mesmo é ter um tipo de controle sobre os filhos (e em alguns casos, sobre genros e noras), e utilizam o dinheiro para conseguir isso.

Independente dos motivos, é comum vermos os filhos “presenteados” sentirem-se com baixa autoestima, tendo diminuídas a sua dignidade e sua capacidade de gerenciar a própria vida.

Faça um favor para seus filhos: deixe-os voar!

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Se há algo relevante para o crescimento dos filhos, é que eles experimentem as dificuldades deste mundo.

Conheço poucas pessoas que tiveram suas vidas financeiras facilitadas pelos pais e que conseguiram avançar com equilíbrio financeiro e emocional, prosperando e enriquecendo.

Portanto, você que é pai ou mãe e que conhece muito bem os seus filhos, pense com carinho na maneira como tem lidado com estas questões.

Primeiro, prepare-os para serem geradores de riqueza; depois, se desejar e puder, ajude-o com dinheiro.

Nesta ordem, todos serão beneficiados.

Faça um favor para seus pais: não os sobrecarregue!

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Você que é filho adulto, que tem condições de gerar sua própria renda, mas continua dependendo de seus pais e recorrendo a eles quando precisa de auxílio financeiro, pense bem em tudo o que eles já fizeram por você.

Foram anos de dedicação e trabalho duro para garantir o seu sustento.

Na medida em que seus pais avançam em idade, procure inverter isso, deixando de ser um peso financeiro para eles, que merecem ter uma velhice mais tranquila e sentirem-se aliviados por terem cumprido bem o seu papel.

Isso irá ajudar você a ser uma pessoa mais responsável, e se somar a isso à disciplina e aos conhecimentos necessários para a administração do próprio dinheiro, você terá uma vida próspera.

Além disso, poderá inverter o cenário completamente, a ponto de ajudar seus pais financeiramente, em um ato de gratidão, sem afetar o seu padrão de vida.

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Conclusão

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Ao mesmo tempo em que recebo mensagens indignadas com certos comportamentos de pais, filhos, irmãos e irmãs, também recebo críticas por abordar de forma tão rápida e singela um assunto tão complexo.

Entendo e respeito ambos os grupos, mas é preciso iniciar uma discussão coerente e inteligente, e este é o meu objetivo.

Cada caso precisa ser analisado em detalhes e com cuidado, através de diálogos francos entre pais e filhos.

Havendo algum problema, o melhor caminho é resolver as divergências o quanto antes, pois uma hora a conta vai chegar, e ela não costuma chegar sem maiores danos, principalmente nas relações pessoais e emocionais.

O dinheiro é um ótimo instrumento para melhorar a qualidade de vida, mas, no fim, o mais importante são as pessoas.

Nunca se esqueça disso.

fonte: dinheirama

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