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A realidade, abandono na velhice: um caso concreto!

abandono dos idosos

Um caso real de desespero. Um idoso que quer apenas uma família para conforta-lo na velhice. Ele faz uma espécie de anuncio: “Procurando alguém para me adotar. Homem velho e solitário de 80 anos. Corpo forte. Pode fazer compras, cozinhar e cuidar de si mesmo”

O que a velhice nos reserva? A maioria das pessoas espera ter tranquilidade e alguma assistência dos familiares. Vamos tentar analisar um caso hipotético: um senhor de 85 anos, com capacidade de locomoção normal, fazendo tarefas diárias – como compras e tarefas domésticas – e capaz de realizar sua higiene pessoal sem ajuda. Essa pessoa tem filhos, mas sem explicação vive sozinha e constantemente alerta os vizinhos sobre o medo de morrer sozinho. A sua esperança é poder participar de qualquer núcleo familiar. O desespero levou a tentativa de colar um bilhete no ponto de ônibus mais movimentado da cidade, tentando encontrar alguém com os braços abertos.

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Isso parece fantasia, mas acontece com um idoso na China. A reportagem abaixo fala um pouco da realidade chinesa e as complicações que as políticas públicas trazem a terceira idade. No entanto, apesar de se tratar de uma cultura diferente, vivemos condições muito parecidas e os idosos no Brasil são submetidos a constrangimentos parecidos ou piores. Veja o caso do idoso chinês que virou matéria do Washington Post (tradução – jornal Estado de SP):

Han Zicheng sobreviveu à invasão japonesa, à guerra civil chinesa e à Revolução Cultural, mas sabia que não poderia suportar a tristeza de viver sozinho. Em um dia frio de dezembro, o senhor chinês de 85 anos pegou alguns pedaços de papel branco e rabiscou um pequeno texto em tinta azul: “Procurando alguém para me adotar. Homem velho e solitário de 80 anos. Corpo forte. Pode fazer compras, cozinhar e cuidar de si mesmo”, escreveu.

“Eu não vou para um lar de idosos. Minha esperança é que uma pessoa ou uma família de bom coração me adote, me conforte pela velhice e enterre meu corpo quando estiver morto.” Ele pregou uma cópia em um ponto de ônibus de sua vizinhança movimentada. Então foi para casa esperar.

A melhoria dos padrões de vida e a política do filho único viraram de cabeça para baixo a pirâmide populacional da China. Atualmente, 15% dos chineses têm mais de 60 anos. Projeções apontam que, em 2040, os idosos serão quase um a cada quatro. É uma crise demográfica que ameaça a economia chinesa e o tecido familiar. As empresas passam a caminhar lentamente com menos funcionários. Uma geração de filhos únicos cuida de pais idosos sozinha. No início, Han estava esperançoso. Ele vinha procurando, havia anos, pessoas para escutá-lo, parando os vizinhos para dizer que estava sozinho, que tinha medo de morrer, que não queria morrer sozinho. Mas seu humor azedou quando percebeu que a família que ele imaginava seria difícil de encontrar.

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Quando as pessoas que viram sua história ligaram para ver como ele estava, ele frequentemente reclamava do governo ou da comida nas casas dos idosos locais. Quando o inverno veio, as ligações se tornaram menos frequentes. Han foi novamente consumido pelo medo de morrer na cama, sozinho.

Tendo suportado tanta coisa, sua geração esperava envelhecer como os que os antecederam: vivendo em um complexo familiar, cuidados por filhos e netos. Para Han e milhões de outros, isso não aconteceu. E isso o deixou furioso. As últimas semanas da vida de Han foram envoltas por um silêncio teimoso e ligações perdidas. Após sua morte, seus vizinhos e filhos não puderam ou não quiseram esclarecer as circunstâncias de seus últimos dias. O que está claro é que o sistema falhou com ele – e provavelmente falhará com muitos outros.

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